Durante a Segunda Guerra Mundial foram construídos diversos campos aéreos mundo afora, para servir de bases para as frotas militares de diversos países. No Brasil, os americanos construíram uma imensa base em Natal, Rio Grande do Norte, a maior cidade mais próxima do Norte de África, portanto, com melhor localização estratégica para servir de ponto de abastecimento e distribuição para tropas. Uma vez finda a guerra, ficaram para trás não somente as bases (lógico), mas também muito equipamento. No caso do Brasil, inúmeros Douglas C47, versão militar do DC-3, que depois de convertidos para versões civis, vieram compor as frotas de inúmeras empresas de aviação que apareceram no pós guerra.
Em outros países, diversos destes campos aéreos ganharam nova vida como autódromos ou pistas. O autódromo de Silverstone na Inglaterra, assim como Diepholz e Mainz Finthen na Alemanha foram montados em campos de aviação . Nos Estados Unidos, Sebring, onde se realiza as 12 Horas de Sebring desde início dos anos 50, é o grande exemplo .
O maior fator do sucesso de Sebring como autódromo foi o rigoroso inverno americano, que impedia a realização de corridas na maior parte do território durante os meses de novembro até aproximadamente março. Situada na Flórida, a pista gozava de bom tempo o ano inteiro, possibilitando a realização de corridas nos primeiros meses do ano, quando as equipes européias não estavam engajadas em provas no Velho Continente. Uma vez iniciada a temporada européia, ficava muito difícil a realização de corridas no continente americano. Este era o atrativo principal. Como pista, sempre foi entediante e plana (como devem ser os campos aéreos) e a cidade sem graça fica no meio do nada. Sebring não fica em local de praia, como podem pensar os mais afoitos, mas sim no meião da Florida, em zona rural.
Quanto à nossa faceira Natal, a cidade só começou a se desenvolver nos últimos 20 anos, sendo que nos últimos 10 o turismo se tornou um dos grandeS motores da economia local. A cidade tem um dos menores níveis pluviométricos do país, água verdinha e quente, muito sol, e atualmente, boa infra-estrutura hoteleira.
Creio que o leitor já adivinhou.
Sim, Natal pleiteava, nos longínquos anos 60, um lugar ao sol no automobilismo brasileiro, e quem sabe internacional, visando tornar-se a Sebring brasileira. O bem intencionado Automóvel Clube Potiguar organizou uma corrida para volantes locais, realizada no dia 21 de março de 1965. Para tanto, foi utilizado um circuito na base aérea de Paramirim, de 3.250 metros. Embora a Equipe Willys fosse freqüentadora assídua de corridas no Nordeste, principalmente em Recife, nenhum piloto do sul compareceu ao simpático evento. Ao todo, inscreveram-se sete carros: duas Berlinetas Interlagos, um Interlagos conversível (raramente utilizado em provas no Sul), uma carretera 1093, um Gordini normal, um DKW e um VW. O reduzido grid de cara virou 6 carros, pois o Gordini falhou na partida. Bem, se o GP dos Estados Unidos de 2005 teve seis carros, o que se esperar de uma corrida em Natal, há mais de 40 anos atrás?
Joaquim Gomes, de Pernambuco, pilotando uma das Berlinetas, e Antonio da Fonte, com DKW disputaram a ponta, até Da Fonte quebrar. Depois disso, “Quinzinho” reinou absoluto. Ao fim de 60 voltas, só três carros terminaram, a Berlineta seguida da Carretera 1093, de Fernando Burle e Adjanitis Vilar, com VW.
Infelizmente, a realização do I Circuito Automobilístico Cidade de Natal não resultou no desenvolvimento da Sebring brasileira. A base aérea continuou a ser visitada somente por aviões, e o automobilismo potiguar...
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